domingo, 30 de agosto de 2009

Primórdios do Cinema Mexicano: 1896-1936

PRIMEIRA PARTE

Primórdios do Cinema Mexicano: 1896-1936

Época de Porfírio Dias aos Primeiros Clássicos


1896: Feliz Estréia
1896: Primeiros Filmes
1897-1909: Primeiros Cineastas Nacionais
1910-1917: Revolução Mexicana
1917-1919: Início da Ficção no Cinema Mexicano
1920-1930: Entrada da Sonorização
1931: Cinema Sonoro no México
1928-1932: Cinema Hispânico em Hollywood
1932-1934: Começo da Indústria Cinematográfica Nacional
1930-1932: A Influência de Eisenstein
1932-1936: Primeiros Clássicos do Cinema Mexicano


Introdução

Quase oito meses após a entrada triunfante na França, chega o cinema no México. O presidente mexicano Porfírio Dias, ao lado da sua família e membros de gabinete, assistia com grande assombro ao movimento das imagens que estavam sendo projetadas por dois funcionários enviados pelos irmãos Lumière em um salão do Castelo de Chapultepec, na noite do dia 6 de agosto de 1896.

O sucesso dessa nova opção de lazer foi de imediato. O presidente Porfírio Dias tinha concedido a audiência aos projecionistas Claude Ferninand Bon Bernard e Gabriel Veyre – ambos enviados por Louis e Auguste Lumière para o México -, em virtude de seu forte interesse pelos avanços da ciência da época. Além do que, o fato da nova invenção ser oriunda da França era garantia para a aceitação oficial por parte de um México que não escondia a sua “afrancesada” preferência.

Após a feliz estréia que ocorreu a portas fechadas, o “cinematógrafo” foi apresentado para o público no dia 14 de agosto, no porão da drogaria “Prateiros”, na rua que levava o mesmo nome (hoje chamada Madero), na cidade do México. O público lotou aquele pequeno lugar – uma réplica curiosa da sessão do porão do “Grande Café” de Paris onde estreou o “cinematógrafo” – e bateu palmas longamente diante das “ vistas” exibidas por Bernard e Veyre. A drogaria “Prateiros” estava localizada bem perto do que, anos depois, seria a “Sala Vermelha”: a primeira sala de cinema do nosso país.

Bernard e Veyre faziam parte de um pequeño exército de camarógrafos recrutados pelos irmãos Lumière, com o intuito de promover sua invenção ao redor do mundo. O “cinematógrafo” tinha recebido os aplausos da Europa e partia para a conquista da América. A estratégia dos irmãos Lumière estava certa. Os camarógrafos-projecionistas primeiro solicitavam uma audiência aos chefes de governo dos países que iam visitando, resguardados pelo embaixador francês local. Assim, o “cinematógrafo” entrava mesmo pela “porta da frente”, seduzindo reis, príncipes e presidentes ávidos por mostrar sua faceta modernosa.

O México foi o primeiro país das Américas a usufruir da mais recente invenção da época, em 1896, pois a entrada do “cinematógrafo” nos Estados Unidos tinha sido impedida pelo inventor e empresário americano Thomas Edison (1847-1931). No começo desse ano, Thomas Armant e Francis Jenkins tinham desenvolvido o ´vitascope´ em Washisngton, um projetor semelhante ao cinematógrafo.

Edison tinha conseguido comprar os direitos autorais sobre o aparelho ´vitascope´ e planejava seu lançamento no mercado sob nome de Biograph. A chegada da invenção dos irmãos Lumière colocaria o Edison numa concorrência antes jamais vista.

Outros países foram visitados pelos Lumière entre 1896-97: Brasil, Argentina, Chile, Cuba, Colômbia e as Guianas. Entretanto, o México foi o único país americano onde os franceses realizaram uma série de filmes que inauguraram o início da história do cinema mexicano.

Assista neste momento on line ao filme Vámonos con Pancho Villa.



Texto: Maximiliano Maza http://cinemexicano.mty.itesm.mx

Tradução: JoséRefugio Ramírez Funes jose.ramirez@bol.com.br