sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Primeiros Filmes Primeiros Diretores do Cinema Mexicano: 1896-1909

CINEMA MEXICANO

Primeiros Filmes Primeiros Diretores: 1896-1909


O presidente Porfirio Diaz é considerado o primeiro ´ator´ do cinema mexicano, em virtude de que o primeiro filme realizado no México – “O Presidente na Lagoa de Chapultepec” (El presidente de la república paseando a caballo en el bosque de Chapultepec: 1896) -, representava importante registro para a nova invenção, que procurava mostrar a rotina oficial de celebridades no seu dia-a-dia. A coroação de Nicolas II da então Rússia tinha inaugurado tal tendência alguns meses antes.

Durante o ano de 1896, o Bernard e o Veyre fizeram aproximadamente 35 filmes nas cidades do México, Guadalajara e Vera Cruz. Os franceses mostram o presidente Dias em várias ocasiões, como na chegada do sino de Dolores ao Palácio Nacional e em diversas cenas pictóricas e rotineiras que mostram desde então uma tendência para o exótico – traço esse que acompanharia o cinema mexicano ao longo da sua trajetória.




Concomitantemente, chegava o projetor americano ´vitascope´; entretanto, o impacto inicial do ´cinematógrafo´ deixava o empresário Edison desarmado como para conquistar o público mexicano.

O nascimento dos primeiros cineastas mexicanos não obedecia necessariamente a um sentido nacionalista, mas sim ao caráter primitivista que permeava o cinema da época: filmes curtos, com menos de um minuto de duração, que apelavam para a necessidade constante por novos materiais para exibição.

Logo após o retorno do Bernard e Veyre para a França, o material deixado por eles e aquele que produziram no México não só foi adquirido pelo entusiasta Bernardo Aguirre, mas também continuou a ser exibido, principalmente no interior.

Contudo, as demonstrações pelo mundo afora por parte dos irmãos Lumière teriam sido interrompidas no ano de 1897 quando, a partir daí, ficaram promovendo somente a venda dos aparelhos e das cópias das gravações feitas pelos seus enviados nos países visitados.

Isso tudo não só provocou grande desinteresse por parte do público, que sabia de cor cada uma das cenas que poucos meses antes causavam grande furor, como também a emergência dos primeiros cineastas nacionais.

O engenheiro Salvador Toscano, quem dedicava-se à exibição de filmes em Vera Cruz, começa sua carreira como produtor no ano de 1898. A atividade dele será uma das poucas a permanecer durante essa época de inícios do cinema. Dois anos mais tarde, sua filha Carmen editará alguns de seus trabalhos, que acabaram sendo reunidos em uma longa-metragem intitulada “Memórias de um Mexicano” (1950).

Ele foi testemunha de vários momentos importantes da vida do país durante o ´porfiriato´ e a revolução, registrados pela sua câmara. De fato, deu início a uma vertente para a qual não faltaram seguidores no nosso país: os documentários.

Eis mais alguns cineastas que marcaram a época dos primórdios do cinema no México.

Guilherme Becerril, a partir de 1899; os irmãos Stahl e os irmãos Alva, a partir 1906; e, o Henrique Rosas, que foi produtor de um grande documentário sobre a viagem de Porfírio Diaz ao Iucatã (Yucatán): “As Festas Presidenciais em Mérida” (Fiestas presidenciales en Mérida, 1906) – filme considerado, indubitavelmente, a primeira longa-metragem mexicana.


Texto: Maximiliano Maza. http://cinemexicano.mty.itesm.mx/

Tradução: José Refugio Ramírez Funes jose.ramirez@bol.com.br

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