sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sonorização do Cinema Mexicano: 1920-1931

Sonorização do Cinema Mexicano: década de 20

A década de 1920 é testemunha de importante transformação do mundo. A Primeira Guerra Mundial tinha mudado radicalmente os valores da sociedade, e as pessoas tentavam esquecer os horrores vividos até 1919. É no seio dos “felizes anos 20” que nascem o rádio, o jazz e a mini-saia, como também o fascismo, o nazismo e a depressão econômica americana.

Em 1927, entra em cena o filme The Jazz Singer (O Cantor de Jazz), de Alan Crossland, dá voz ao cinema pela primeira vez e torna-se plataforma de lançamento da maior novidade cinematográfica: o som. A partir daí, o cinema irá apostar tudo na fala e na música, inaugurando uma nova era da sua história.

Na década de 20, o cinema mexicano segue uma trajetória desigual diante da crescente popularidade do cinema hollywoodiano, que tem a Rodolfo Valentino, Tom Mix e Glória Swanson como nomes fortes e competitivos e, do lado mexicano, teremos a Carlos Villatoro, Ligia Dy Golconda e Elena Sánchez Valenzuela.

Na verdade, há muito pouco a se resgatar sobre o cinema mudo mexicano nessa década. Talvez, vale a pena destacar a importância desse período, em particular a influência de Hollywood, na formação de diversos atores, diretores e técnicos mexicanos.

Fernando de Fuentes, Emílio Fernández, Roberto e Joselito Rodrigues são diretores que recebem sua educação cinematográfica em Hollywood. Assim, o cinema mexicano prepara-se para o que mais tarde será a Época de Ouro.




Embora a sonorização tenha sido incorporada no cinema no ano de 1927, somente quatro anos depois (1931) é feita a primeira fita sonorizada no México: a nova versão de “Santa”, dirigida pelo ator hollywoodiano de origem espanhola, Antônio Moreno, e interpretada pela atriz Lupita Tovar.

A técnica foi trazida pelos irmãos Roberto e Joselito Rodriguez, que acabam por inventar um aparelho sintetizador de som bastante leve e prático ainda lá na terra do Tio Sam. O filme “Santa” de 1931 tinha som direto gravado numa banda paralela às imagens inserida dentro do próprio filme.

Que a equipe de apoio nas filmagens de Santa tenha sido treinada em Hollywood não é mero acaso. Fazia parte de um plano maior que visava implementar a indústria cinematográfica no país, que também incluía a fundação da Companhia Nacional Produtora de Filmes.

Tal empresa compra vários estúdios de cinema existentes desde 1920 e se estabelece como a companhia de cinema mais importante do país. A decisão de ´importar´ quase todo o pessoal para as filmagens seria tomada com o intuito de garantir o sucesso financeiro do filme.

Assista neste momento on line ao filme Santa. Não esqueça da sua pipoca e guaraná. Um ótimo filme!



Texto: Maximiliano Maza http://cinemexicano.mty.itesm.mx/
Tradução: José Refugio Ramírez Funes

Nenhum comentário:

Postar um comentário