sábado, 26 de setembro de 2009

Cinema Mexicano 1896-1936 - Resumo no Blog


História do Cinema Mexicano: 1896-1936


Época de Porfírio Dias aos Primeiros Clássicos

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Primeiros Filmes Primeiros Diretores: 1896-1909

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Revolução e Ficção no Cinema Mexicano: 1910-1920

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Sonorização do Cinema Mexicano: 1920-1931



Link: http://cinemamexicano.blogspot.com/2009/09/sonorizacao-do-cinema-mexicano-1920.html

Hollywood, Eisenstein e Primeiros Clássicos do Cinema Mexicano: 1928-1936


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Assista neste momento on line ao filme Allá en el Rancho Grande com Tito Guizar.



Texto: Maximiliano Maza http://cinemexicano.mty.itesm.mx/


Tradução: José Refugio Ramírez Funes jose.ramirez@bol.com.br

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hollywood, Eisenstein e Primeiros Clássicos do Cinema Mexicano: 1928-1936



A proximidade de Hollywood com o México foi fator decisivo para que pudesse acontecer a integração mexicana com a indústria fílmica americana. Dolores del Rio, Ramon Novarro, Lupe Vélez e Lupita Tovar foram alguns dos atores mexicanos que caminharam lado a lado com os mais famosos artistas de Hollywood. A carência da fala no cinema superou qualquer obstáculo da língua.


A volta para o México por parte de vários ´mexicanos de Hollywood´ famosos não foi devido a um simples sentimento nacionalista dos compatriotas e, sim, pela necessidade de garantir seu futuro no mundo do cinema. O advento da sonorização trazia junto algo mais do que a possibilidade de inserir músicas nos filmes: representava o ´fim´ da carreira para muitos atores.


Além do problema de atores não possuírem uma voz em sintonia com o seu personagem cinematográfico, o principal problema dos estrangeiros que atuavam em Hollywood era a língua ou, pior das hipóteses, o sotaque. Atores e atrizes, muitas vezes interpretavam o mesmo tipo de papel dos americanos, pois o sotaque estrangeiro era algo impossível de manter sob a nova era do som.

Outra faceta do problema para as produtoras, talvez a pior, era de cunho comercial. Até então os filmes podiam ser vendidos no mundo todo sem problema nenhum, pois os subtítulos de apresentação das cenas contidos nos filmes (legendas que interrompem a ação para apresentar um diálogo ou explicação), quando chegavam ao destinatário, eram substituídos por legendas traduzidas para a língua local. Mas com a chegada do som e da fala no cinema isso tudo não seria mais possível.

Diante da problemática, Hollywood propõe a efêmera saída de realizar versões dos filmes mais importantes em vários idiomas. Assim, Hollywood produz o mesmo filme várias vezes para garantir sua presença nos mercados estrangeiros durante o período de 1928-1939, que, conforme foi passando o tempo, o resultado não era como esperado.

As versões produzidas em outras línguas não eram bem aceitas pelo público estrangeiro, pois os atores que passavam nas telas não eram aqueles que gostariam de assistir. No chamado ´cinema hispânico´ de Hollywood (na versão ao espanhol), o problema ficou mais grave em virtude da grande quantidade existente de sotaques dos atores, algo que os produtores hollywoodianos jamais levaram em conta.

Contudo, o ´cinema hispânico´ teve seu papel como campo de treinamento para atores e realizadores mexicanos que acabam se incorporando na indústria nacional a partir do filme Santa, em 1931. Exerceu ainda a função de etapa de transição de modo a evitar a demissão em massa dos atores que teriam perdido seu lugar na constelação de estrelas de Hollywood.


Indústria do Cinema Mexicano

A indústria do cinema mexicano nasce numa época de grande efervescência social, política e cultural no nosso país. A Revolução faz corte importante na história, embora seus protagonistas continuavam a ditar ainda o destino político da nação.

Em 1928, o general Plutarco Elias Calles funda o Partido Nacional Revolucionário (PNR), o embrião do Partido Revolucionário Institucional (PRI). Calles permaneceu no poder durante os anos de 1928-1934, embora o México teve três presidentes no mesmo período: Pascual Ortiz Rubio, Abelardo L. Rodrigues e Emilio Portes Gil.

Com a chegada de Lazaro Cardenas ao poder, em 1934, a instabilidade política do país foi desaparecendo. Cardenas torna-se o primeiro presidente no governo por seis anos consecutivos, conforme mandato estabelecido pela Constituição de 1917.

O ambiente intelectual mexicano encontrava-se dividido entre a Revolução e o socialismo. Tanto a Revolução Russa de 1917 quanto a Revolução Mexicana deixavam expressivas marcas no pensamento de intelectuais do nosso país. O México vivia o glamour do Muralismo – movimento estético na pintura que nunca escondeu sua forte inclinação ideológica de esquerda.

Além da pintura, a literatura, a música e a fotografia são outras artes que terão importante desenvolvimento na década de 30. Silvestre Revueltas, Xavier Villaurrutia, Carlos Pellicer, Salvador Novo, Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros, José Clemente Orozco, Frida Kahlo, Maria Izquierdo, Tina Modotti, Manuel e Lola Alvarez Bravo – dentre outros artistas –, faziam parte do panorama artístico-intelectual do México Moderno. Suas obras têm a leitura da Revolução Mexicana como denominador comum.

Uma vez estabelecidas as bases para a indústria cinematográfica nacional, não é de se estranhar o rumo que toma o cinema mexicano, conseqüência desse ambiente.





Eisenstein e o Cinema Mexicano

É imprescindível destacar a influência que o cinema russo teve na produção das imagens do cinema mexicano. Resulta fácil explicar a presença de Hollywood no desenvolvimento do nosso cinema em virtude da sua aproximação geográfica e pela relevância da indústria do cinema americano. No entanto, a influência estética russa merece especial atenção.

A tendência cinematográfica construída na Rússia dos anos 20 torna-se o primeiro movimento artístico do cinema propriamente dito. Visivelmente influenciados pelas contribuições do americano Griffith, em matéria de linguagem cinematográfica, os russos criaram uma proposta ideológica através de um meio jamais utilizado: o cinema.

A contribuição dos cineastas Sergei Mikhailovich Eisenstein (1898-1948) e Vsevolod Pudovkin (1893-1953) já era reconhecida mundialmente na década de 30: A Greve (1924), O Encouraçado Potemkin (1925), Mãe (1926) e Outubro (1927) tornavam-se pedras angulares na história da arte cinematográfica.

No inicio dos anos 30, Eisenstein viajou para o México com o intuito de filmar Viva o México! (Que viva México! - 1930-32) – ambiciosa e vasta obra sobre o país. O cineasta soviético contava com o patrocínio de intelectuais americanos de esquerda e tinha passado por Hollywood, onde não havia conseguido realizar nenhum filme.

Logo mais acontece o inesperado: os patrocinadores cortam as verbas, ficam com o material filmado e o Viva o México! fica inacabado. Porém, as imagens produzidas pelo diretor russo poderão ser vistas e apreciadas em vários filmes feitos a partir delas.

A estética visual do Viva o México! irá influenciar o cinema nacional de forma marcante, mostrando na sua proposta três elementos fundamentais: a beleza da paisagem, as nuvens fotogênicas e a exaltação da figura do índio mexicano. Para Garcia Riera, tal estilo foi considerado uma derivação da pintura muralista, especialmente, aquela produzida pelo pintor Diego Rivera (1886-1957).

Assista on line neste momento ao filme-documentário Que Viva México! do cineasta russo Eisenstein. Prepare sua pipoca e um ótimo filme!



Primeiros Clássicos do Cinema Mexicano

A emergente indústria do cinema mexicano produz aproximadamente 100 filmes no período entre 1932-1936, dos quais vários deles são tidos na atualidade como clássicos do cinema nacional.

Em pouco tempo, a cinematografia mexicana conquista o gosto nacional e começa até exportar suas fitas para os países de língua espanhola. Com a filmagem do Lá no Sitio Grande (Allá en el Rancho Grande - 1936), de Fernando de Fuentes, o cinema mexicano alcançará de fato sua projeção internacional. Tito Guízar, René Cardona, Esther Fernández, Lorenzo Barcelata e Emma Roldán – entre outros – formam o elenco desta primeira edição. Uma década depois, nova versão será feita tendo como protagonista o cantor e também galã Jorge Negrete (1949).

Fernando de Fuentes realiza mais três filmes todos considerados precursores da Época de Ouro do Cinema Mexicano: Preso 13 (El prisionero 13 – 1933), Compadre Mendoça (El compadre Mendoza – 1933) e Vamos embora com o Pancho Villa (Vámonos con Pancho Villa - 1935). Esses filmes mostram o domínio da técnica americana de filmagem por parte do cineasta Fernando de Fuentes e sua incrível sobriedade no tratamento do tema Revolução para sua época. De fato, os filmes de Fuentes são os únicos produzidos, praticamente, sobre o assunto sem apologia qualquer à Revolução e sem esconder sua visão crítica ao movimento.



No ano de 1933, o russo-chileno Arcady Boytler e o mexicano Raphael J. Sevilla rodam Mulher do Porto (La mujer del puerto – 1933) – filme que consagra a personagem da prostituta dentro da história do nosso cinema. Com uma atmosfera herdada pelo expressionismo alemão, Mulher do Porto acaba surpreendendo o México da época devido à sua pesada temática, que faz alusão ao incesto, e pela sua ótima produção.

Veja outros filmes da época que merecem destaque:

Janitzio (1934) de Carlos Navarro,
Dois Monges (Dos monjes - 1934) de Juan Bustillo, e
Ouro e Redes (Oro y Redes – 1934) de Fred Zinnemann e Emilio Gomes Muriel.

Chano Urueta, Gabriel Soria, Juan Orol e Miguel Zacarias são alguns dos diretores que iniciaram a sua carreira nesses anos anteriores à Época de Ouro do cinema mexicano.

Texto: Maximiliano Maza http://cinemexicano.mty.itesm.mx/
Tradução: José Refugio Ramírez Funes
jose.ramirez@bol.com.br

Links Sugeridos:
http://www.diegorivera.com/
http://www.imdb.com/title/tt0027277/
http://www.imdb.com/title/tt0023902/
http://www.uff.br/lia/tecal/cineclube/textos/mam/mendonza.html

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sonorização do Cinema Mexicano: 1920-1931

Sonorização do Cinema Mexicano: década de 20

A década de 1920 é testemunha de importante transformação do mundo. A Primeira Guerra Mundial tinha mudado radicalmente os valores da sociedade, e as pessoas tentavam esquecer os horrores vividos até 1919. É no seio dos “felizes anos 20” que nascem o rádio, o jazz e a mini-saia, como também o fascismo, o nazismo e a depressão econômica americana.

Em 1927, entra em cena o filme The Jazz Singer (O Cantor de Jazz), de Alan Crossland, dá voz ao cinema pela primeira vez e torna-se plataforma de lançamento da maior novidade cinematográfica: o som. A partir daí, o cinema irá apostar tudo na fala e na música, inaugurando uma nova era da sua história.

Na década de 20, o cinema mexicano segue uma trajetória desigual diante da crescente popularidade do cinema hollywoodiano, que tem a Rodolfo Valentino, Tom Mix e Glória Swanson como nomes fortes e competitivos e, do lado mexicano, teremos a Carlos Villatoro, Ligia Dy Golconda e Elena Sánchez Valenzuela.

Na verdade, há muito pouco a se resgatar sobre o cinema mudo mexicano nessa década. Talvez, vale a pena destacar a importância desse período, em particular a influência de Hollywood, na formação de diversos atores, diretores e técnicos mexicanos.

Fernando de Fuentes, Emílio Fernández, Roberto e Joselito Rodrigues são diretores que recebem sua educação cinematográfica em Hollywood. Assim, o cinema mexicano prepara-se para o que mais tarde será a Época de Ouro.




Embora a sonorização tenha sido incorporada no cinema no ano de 1927, somente quatro anos depois (1931) é feita a primeira fita sonorizada no México: a nova versão de “Santa”, dirigida pelo ator hollywoodiano de origem espanhola, Antônio Moreno, e interpretada pela atriz Lupita Tovar.

A técnica foi trazida pelos irmãos Roberto e Joselito Rodriguez, que acabam por inventar um aparelho sintetizador de som bastante leve e prático ainda lá na terra do Tio Sam. O filme “Santa” de 1931 tinha som direto gravado numa banda paralela às imagens inserida dentro do próprio filme.

Que a equipe de apoio nas filmagens de Santa tenha sido treinada em Hollywood não é mero acaso. Fazia parte de um plano maior que visava implementar a indústria cinematográfica no país, que também incluía a fundação da Companhia Nacional Produtora de Filmes.

Tal empresa compra vários estúdios de cinema existentes desde 1920 e se estabelece como a companhia de cinema mais importante do país. A decisão de ´importar´ quase todo o pessoal para as filmagens seria tomada com o intuito de garantir o sucesso financeiro do filme.

Assista neste momento on line ao filme Santa. Não esqueça da sua pipoca e guaraná. Um ótimo filme!



Texto: Maximiliano Maza http://cinemexicano.mty.itesm.mx/
Tradução: José Refugio Ramírez Funes

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Revolução e Ficção no Cinema Mexicano: 1910-1920

Revolução


A Revolução Mexicana de 1910 teve uma importância inigualável no desenvolvimento do cinema no nosso país e, devido às circunstâncias cronológicas, foi o primeiro grande fato histórico totalmente documentado pelo cinema. Nunca antes um acontecimento de tamanha envergadura tinha sido registrado em movimento.


A Primeira Guerra Mundial, iniciada quatro anos após o conflito mexicano, foi documentada a partir do estilo imposto pelos produtores mexicanos da Revolução.

A vertente documentário-realista foi, por claras evidências, a principal manifestação do cinema mexicano da Revolução. Embora a popularização do cinema de ficção estivesse acontecendo na Europa e na América do Norte, o conflito armado no México tornou-se a principal programação nas salas de cinema nacionais até 1917.


O interesse do público por este tipo de filmes era explicado pelo alto valor noticioso contido. Cumpriam a função de confirmar e dar sentido ao conjunto de informações confusas, contraditórias e insuficientes sobre um conflito armado longo e complexo. Os filmes sobre a Revolução podem ser vistos como antecedentes distantes dos atuais telejornais.

Os cineastas da Revolução procuravam mostrar uma visão objetiva dos acontecimentos. De modo a manter a imparcialidade, os cinegrafistas filmavam ambos os lados durante os preparativos para a ação, fazendo-a convergir e, muitas vezes, o resultado final não era noticiado. Isso era feito em virtude das incertezas quanto ao desenrolar dos fatos.


Era comum que cada exército tivesse seu próprio cinegrafista. Enquanto os irmãos Alva acompanhavam às tropas de Madero, o cinegrafista Jesus H. Abitia seguia a Divisão do Norte filmando os acontecimentos sob o ponto de vista do exército de Álvaro Obregon e Venustiano Carranza. Fala-se que o Pancho Villa contava com seus próprios cinegrafistas trazidos dos Estados Unidos, que até chegou a “coreografar” a batalha de Celaiá (Celaya).


Além das diversas práticas cinematográficas, a Revolução foi um sensacional e fotogênico cenário para o cinema mexicano. Indubitavelmente, a estética gerada a partir desse conflito irá imprimir sua marca no desenvolvimento posterior da nossa cinematografia. Maior prova disso, são os filmes da chamada Época de Ouro que muito devem à Revolução em matéria de postura estética.

Ficção


Se o cinema de ficção é aquele onde são empregados atores para contar um determinado enredo, é preciso nos remeter ao ano de 1896 para achar o primeiro exemplo do cinema mexicano.


“O Duelo de Chapultepec” (Un duelo a pistola en el bosque de Chapultepec) foi filmado naquele ano pelos franceses Bernard e Veyre, baseados num fato verídico que acontece pouco antes envolvendo dois deputados no Bosque de Chapultepec (localizado na Cidade do México).
A fita provocou uma série de protestos na imprensa, pois para o público isso seria a filmagem de um fato real. A pesar de ter sido anunciado de que o filme seria a reconstrução dos fatos, o público ainda não conseguia diferenciar a realidade da ficção. A abordagem realista do cinema fazia pensar de que tudo aquilo que era capturado e mostrado diante das câmaras era verdadeiro.


A reconstrução de eventos importantes não era nenhuma novidade para a época. Edison tinha produzido uma pequena fita para o seu Kinetoscópio, que muito bem pode ter inspirado o filme de Bernard e Veyre. Provavelmente, o Pedro Esquirel and Dionécio Gonzales – Mexican Duel (1894) é pioneiro por apresentar, pela primeira vez, mexicanos em um filme: dois homens se enfrentando em duelo com faca nas mãos.


A partir daí, a imagem do mexicano violento foi estereotipada e exportada pelo cinema americano quando o assunto era o México. Foram feitas outras reconstruções famosas, a saber: o naufrágio do navio Maine em 1898 e a coroação de Eduardo VII da Inglaterra, em 1902, ambas de Méliès; e, aquela realizada por Edwin S. Porter, sobre o caso da senhora Soffel, em 1901.


No seu retorno para o México, Salvador Toscano fez uma versão curta de Dom João Tenório (Don Juan Tenorio – 1899). O filme mostra a ambivalência com a qual era vista a ficção daquela época: um documentário que registra a obra em representação teatral, mas que era ficção pelo fato de mostrar simplesmente a performance dos atores.


Em 1907, o ator Felipe de Jesús Haro realiza a primeira e ambiciosa fita de ficção rodada no México: A Independência do México (El grito de Dolores o La independencia de México). O Haro escreve o roteiro e interpreta também o papel do libertador Miguel Hidalgo. O filme foi exibido quase que obrigatoriamente todo ano na data de aniversário da independência, 15 de setembro, até o ano de 1910.


A lista de filmes de ficção dessa época inclui os seguintes títulos:


* Segunda Santa do Zelador (El san lunes del valedor o El san lunes del velador – 1906), uma comédia dirigida por Manuel Noriega;

* As Aventuras de Tip-Tip no Chapultepec (Aventuras de Tip Top en Chapultepec – 1907), um curta do Haro;

* O Terço de Amozoque (El rosario de Amozoc – 1909), primeiro filme de ficção de Enrique Rosas; e,

* O Aniversário da Morte da Sogra de Enhart (El aniversario del fallecimiento de la suegra de Enhart -1912), dos irmãos Alva, o filme de ficção mais antigo do qual ainda existem cópias. O filme é uma comédia interpretada pelos atores Vicente Enhart e Antônio Alegria, ambos comediantes do Teatro Lírico com forte influência francesa.

Pós-Revolução 1917-20


A Revolução de 1910 foi importante parêntese para a produção de filmes de ficção no México e com o término oficial do conflito (1917) ressurge essa modalidade cinematográfica, mas agora na versão de longametragem.

Ora, o período de 1917-20 é visto com o uma espécie de primeira época de ouro do cinema mexicano – evento esse que só acontecerá novamente três décadas depois. Que a melhor época do cinema mexicano mudo tenha acontecido durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto a melhor época do nosso cinema sonoro tenha ocorrido com a Segunda Grande Guerra é interessante coincidência.


Em ambos os casos, a importação de filmes teve expressiva queda, quando naturalmente diminui o número de filmes produzidos nos países em guerra.


A principal região exportadora de filmes para o México era a Europa, pois os Estados Unidos ainda não se tornara importante centro produtor cinematográfico, embora o Hollywood já mostrava sua vocação para ser a futura Meca do cinema no mundo. Além do mais, as relações froxas entre o México e os Estados Unidos, somadas à imagem estereotipada do ´mexicano bandido´ passada nos filmes americanos, provocavam certa rejeição tanto oficial quanto popular às produções do país vizinho.


Nessa nova era pós-Revolução, a França e a Itália ditam o parâmetro para a ´reinauguração´ do cinema de ficção mexicano. Logo de início estrelará no México o filme italiano Il Fuoco (O Fogo, de 1915) interpretado por Pina Menichelli – atriz que consegue alta popularidade no país e que introduz o termo ´diva´ no mundo do cinema, o qual era utilizado apenas para o teatro e a ópera.


O Fogo inaugura um estilo romântico-meloço que fez sucesso no México e que influencia o cinema de outros países como os próprios Estados Unidos. O universo das ´divas´ continha ingredientes de rápida assimilação por parte das demais cinematografias: mulheres voluptuosas, cenários ostentosos, enredos ousados e passionais.


A proposta italiana colocava uma mudança de mentalidade para a época, produto imediato da guerra. O papel da mulher se estendia para o mundo do cinema, mesmo que fosse apenas como ´objeto´ de paixões amorosas. A nova mulher – que conseguia o direito a votar – começa por aparecer na telas de cinema, logo passa a usar cabelo curto e mini-saia e mais libertaria.


Oficialmente falando, o primeiro longametragem do cinema mexicano é intitulado Luz – O Triptico da Vida Moderna (La luz, tríptico de la vida moderna - 1917). É empregado o adjetivo ´oficial´ em virtude de que poucos autores reconhecem o trabalho de Carlos Martines Arredondo e Manuel Cirerol Sansores, ambos de Iucatã (Yucatán), que tinham filmado “1810 – Oh! Libertadores do México” (1810 ó ¡los libertadores de México! – de 1916), um pouco antes e que talvez seja o primeiro longa de ficção nacional. O fato de este filme ter sido rodado na região sul do país, assim como outros deles (ex.: El amor que triunfa), faz com que fique relegado e até colocado atrás do Triptico – esse sim rodado na cidade do México.


Produzido pelo francês Max Chauvet e dirigido por J.Jamet – provável pseudônimo de Manuel da Bandeira -, o Triptico é atribuído ao cinegrafista mexicano Ezequiel Carrasco, que consegue fazer longa carreira no cinema nacional até os anos sessenta. Com um roteiro que praticamente plagiava o afanado O Fogo, o filme lança a primeira ´diva´ mexicana com estrelato nacional: a Emma Padilha.


A lista de filmes famosos desta primeira época de ouro (1917-20) inclui também:

* Defesa Própria (En defensa propia), Tigresa (La tigresa) e A Sonhadora (La soñadora), todos eles produzidos no ano de 1917 pela Companhia Asteca Films. Essa companhia, fundada pela atriz Mimi Derba e pelo cineasta Enrique Rosas, é a primeira empresa 100% mexicana de cinema. Muito provavelmente, a Derba é a primeira diretora do cinema mexicano, caso tenha dirigido de fato o Tigresa;


* Tepeiaque (Tepeyac): rodado por Fernando Sayago, o filme relaciona de forma estranha o aparecimento de Nossa Senhora de Guadalupe (Virgen de Guadalupe) com o naufrágio de um navio do século XX;


* Tabarê: de Luis Lezama, o filme mantém uma estreita relação com o enredo de filmes como Tisoque (Tizoc – 1957) – nome do índio que se apaixona pela branca ricaça; e,


* Santa: filme que mostra a vida de uma prostituta criada pelo roterista Federico Gamboa e terá sua primeira exibição na versão dirigida por Luis G. Peredo, em 1918. Em 1931, o Santa ganha nova versão que irá abrir a era do cinema sonorizado no México e projetará um dos principais arquétipos femininos do nosso cinema: o da prostituta ou garota de programa (cabaretera).


“O Carro Cinza” e os Seriados


Merecedor de especial atenção é o Carro Cinza (El automóvil gris – 1919): produzido por Enrique Rosas, é, sem dúvida, o filme mais famoso da época do cinema mudo no México. Na verdade, o filme é uma série de 12 episódios que vai contando as aventuras de importante gangue de assaltantes de jóias, que teria ficado famosa na Cidade do México, no ano de 1915.


As séries, ou ´seriados´, são as primeiras incursões do cinema americano no gosto popular mexicano. Pelos idos de 1919, a aspereza do relacionamento com o vizinho do Norte tina cedido e a conquista de mercados por parte do cinema hollywoodiano avançava pelo mundo afora.


O ´seriado´ americano mais popular era “Perigos de Paulinha” (The Perils of Pauline, 1914), que conta as aventuras de uma jovem repórter – novidade na época – que vivia arrumando encrenca por causa de sua profissão. Esse seriado proclamava o novo papel da mulher americana, além de servir como meio de lazer utilizado nas consagradas ´matinês´ cinematográficas.


Assim, o Carro Cinza abre passo ao ´seriado mexicano´ sem garantia de seguidores. Nesse tipo de fitas tinha o elemento novo e controverso de ter como fonte inspiradora os fatos que aconteciam na época. O fato original do filme mostra um general ´carrancista´ (seguidor de Carranza) que tinha sido sócio do diretor Rosas e participante ativo na formação da Asteca Films, e os personagens que aparecem na tela eram facilmente reconhecidos pelo público.


Para complicar ainda mais, o seriado tinha cenas onde misturava ficção com realidade: o fuzilamento de alguns membros da gangue não tinha sido gravado para o filme, mas era a cena original que ele mesmo teria filmado e simplesmente incluído. É desse modo mórbido que o filme teria garantizado sua popularidade junto ao público.


Carro Cinza é, entretanto, um curioso fenômeno na história do cinema mexicano e um filme que foi exibido regularmente até alguns anos atrás no cinema e na televisão, ainda que com cortes. Em 1933 foi sonorizado, e acabou perdendo parte da sua originalidade, pois os diálogos inseridos acabam ridicularizando as atuações teatrais da época e não acrescentam nada à história.


Em 1960, foi editado de modo a transformá-lo em longa, mas acaba por destruí-lo por completo. Inúmeras cenas que faziam “ponte” para as ações foram tiradas, de tal maneira que hoje o que ficou do filme é uma versão confusa do “seriado” original. “O Carro Cinza” de 1919 foi a última
filmagem do diretor Enrique Rosas, que morre no ano seguinte.

Assista neste momento on line ao filme El automóvil gris.



Texto: Maximiliano Maza http://cinemexicano.mty.itesm.mx

Tradução: José Refugio Ramírez Funes jose.ramirez@bol.com.br

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Primeiros Filmes Primeiros Diretores do Cinema Mexicano: 1896-1909

CINEMA MEXICANO

Primeiros Filmes Primeiros Diretores: 1896-1909


O presidente Porfirio Diaz é considerado o primeiro ´ator´ do cinema mexicano, em virtude de que o primeiro filme realizado no México – “O Presidente na Lagoa de Chapultepec” (El presidente de la república paseando a caballo en el bosque de Chapultepec: 1896) -, representava importante registro para a nova invenção, que procurava mostrar a rotina oficial de celebridades no seu dia-a-dia. A coroação de Nicolas II da então Rússia tinha inaugurado tal tendência alguns meses antes.

Durante o ano de 1896, o Bernard e o Veyre fizeram aproximadamente 35 filmes nas cidades do México, Guadalajara e Vera Cruz. Os franceses mostram o presidente Dias em várias ocasiões, como na chegada do sino de Dolores ao Palácio Nacional e em diversas cenas pictóricas e rotineiras que mostram desde então uma tendência para o exótico – traço esse que acompanharia o cinema mexicano ao longo da sua trajetória.




Concomitantemente, chegava o projetor americano ´vitascope´; entretanto, o impacto inicial do ´cinematógrafo´ deixava o empresário Edison desarmado como para conquistar o público mexicano.

O nascimento dos primeiros cineastas mexicanos não obedecia necessariamente a um sentido nacionalista, mas sim ao caráter primitivista que permeava o cinema da época: filmes curtos, com menos de um minuto de duração, que apelavam para a necessidade constante por novos materiais para exibição.

Logo após o retorno do Bernard e Veyre para a França, o material deixado por eles e aquele que produziram no México não só foi adquirido pelo entusiasta Bernardo Aguirre, mas também continuou a ser exibido, principalmente no interior.

Contudo, as demonstrações pelo mundo afora por parte dos irmãos Lumière teriam sido interrompidas no ano de 1897 quando, a partir daí, ficaram promovendo somente a venda dos aparelhos e das cópias das gravações feitas pelos seus enviados nos países visitados.

Isso tudo não só provocou grande desinteresse por parte do público, que sabia de cor cada uma das cenas que poucos meses antes causavam grande furor, como também a emergência dos primeiros cineastas nacionais.

O engenheiro Salvador Toscano, quem dedicava-se à exibição de filmes em Vera Cruz, começa sua carreira como produtor no ano de 1898. A atividade dele será uma das poucas a permanecer durante essa época de inícios do cinema. Dois anos mais tarde, sua filha Carmen editará alguns de seus trabalhos, que acabaram sendo reunidos em uma longa-metragem intitulada “Memórias de um Mexicano” (1950).

Ele foi testemunha de vários momentos importantes da vida do país durante o ´porfiriato´ e a revolução, registrados pela sua câmara. De fato, deu início a uma vertente para a qual não faltaram seguidores no nosso país: os documentários.

Eis mais alguns cineastas que marcaram a época dos primórdios do cinema no México.

Guilherme Becerril, a partir de 1899; os irmãos Stahl e os irmãos Alva, a partir 1906; e, o Henrique Rosas, que foi produtor de um grande documentário sobre a viagem de Porfírio Diaz ao Iucatã (Yucatán): “As Festas Presidenciais em Mérida” (Fiestas presidenciales en Mérida, 1906) – filme considerado, indubitavelmente, a primeira longa-metragem mexicana.


Texto: Maximiliano Maza. http://cinemexicano.mty.itesm.mx/

Tradução: José Refugio Ramírez Funes jose.ramirez@bol.com.br